quinta-feira, 18 de agosto de 2016

INTRODUÇÃO À FILOSOFIA DA RELIGIÃO, CULTURA E DA ARTE

INTRODUÇÃO À FILOSOFIA DA RELIGIÃO –DEUS E A RAZÃO

E.E. "OSWALDO CRUZ-CRUZEIRO/SP


Immanuel Kant (1724 - 1804) foi um filósofo alemão, considerado um dos maiores da história e dos mais influentes no ocidente. para Kant, o espírito ou razão modelava e coordenava as sensações, sendo as impressões dos sentidos externos apenas matéria prima para o conhecimento. Kant negava que existia uma verdade última ou a natureza íntima das coisas. Por isso, propôs uma espécie de código de conduta humano, surgindo daí, idéias para outra obra famosa, o seu livro A crítica da Razão Prática, que funcionaria como leis éticas que regeriam os seres humanos. A estas leis, deu o nome de Imperativo Categórico.De acordo com Kant, as provas da existência de Deus poderiam ser demonstradas dos pontos de vista ontológico (sobre o ser real de Deus), cosmológico (sobre a existência necessária e real de Deus) e físico-teológico (sobre o universo como resultante de um plano de um ser criador. Para kant, essas três provas , não podem ser demonstradas pela razão humana, porque temos a ideia de Deus, e não evidências sensíveis sobre seu ser, sua realidade e seu planejamento do mundo. Dentro da Uniformidade e diferença (O espírito das leis de Mostesquieu), observando a nossa sociedade, o que é preciso uniformizar e o que é preciso manter e respeitar quando se trata de diferenças culturais, pois com base nas reflexões sobre o cotidiano, diferenças culturais que não ferem a ética de solidariedade entre as pessoas e que não representam atos de violência contra a natureza e os outros homens devem ser respeitados e mantidos. Kant afirma que não podemos chegar à certeza da existência ou da não existência de Deus com base na razão,  segundo o pensamento do filósofo. O homem é um ser que pensa por meio de categorias limitadas. Qualquer ser que esteja fora dessas categorias não é passível de ser conhecido pelo homem. Deus estaria fora e além dessas categorias, por isso não poderíamos provar a sua existência.  Quando vemos uma grande obra, pensamos que algo ou alguém a construiu. No entanto, apenas podemos supor isso. A prova da existência de Deus, que se refere à causa inicial, não pode ser uma prova; ela é a suposição de que algo ou alguém fez o mundo. Uma suposição não é uma prova. Para Kant, a razão pura não prova a existência de Deus. Para pensar a realidade, precisamos de uma razão que se fundamenta na experiência, ou seja, a razão prática. A razão prática considera que, para conseguirmos objetivos, é preciso encontrar o melhor caminho. O melhor caminho torna-se o dever; assim, o dever é bom. Mas o dever também é um ideal, ou seja, ele existe na realidade e fora dela. O ideal máximo é Deus, que já é aquilo que se deve ser e, por isso, existe.


Deus como causa do mundo - Para Platão, não existe apenas um deus criador de tudo, mas existe um responsável pela organização do mundo. Ele seria o Demiurgo – um ser que copiaria o mundo perfeito das ideias na matéria imperfeita. Antes de o mundo existir, havia ideias perfeitas e eternas que foram copiadas na matéria pelo Demiurgo. Embora as cópias não sejam perfeitas, a ação do Demiurgo permitiu tornar o mundo inteligível, por ter ordenado o mundo sensível favorecendo nossa compreensão sobre ele. Para Aristóteles, Deus seria o primeiro motor, isto é, todas as coisas que se movimentam são movimentadas por outras coisas. As pessoas, os ventos, os mares, as nuvens, as árvores, cada ser no mundo passa do ato à potência, que é o movimento. Mas quem “daria o primeiro empurrão”, quem seria o primeiro motor? No livro Metafísica, a resposta apresentada por ele é Theós – que, em grego, significa Deus. Então, Deus existe porque alguém tinha de começar o movimento sem ser movimentado: um ato puro. Para Plotino, o mundo é parte de Deus. Deus é, assim, a fonte de tudo o que existe; Mas as coisas que emanam dessa fonte não se separam dela. Não existe a ideia de que os seres criados possam ser separados do criador, como no cristianismo. Assim como os objetos precisam da luz para aparecer, os seres precisam do Uno, ou Deus, para permanecer existindo; eles estão ligados, unidos, e tudo é parte de Deus. Por isso, quanto mais longe da fonte da luz estiver uma coisa, mais ela será sombria. Da mesma forma, quanto mais longe da fonte da existência, Deus, menor é a força de sua existência. Por isso, o Uno emana, primeiro, a inteligência; depois, a alma que governa o mundo e, enfim, o próprio mundo material. Cada ser no mundo é um pedaço de Deus, mas Deus é superior a todas as suas pequenas partes. O que está mais longe de Deus é o mundo material, e o que está mais perto de Deus é a inteligência e a alma. Para a filosofia cristã, a ideia de que o mundo e suas partes emanam de Deus não pode ser fundamentada, porque Deus é puro, homogêneo e não pode ser dividido. Então, quando Ele criou o mundo, o fez separado Dele. Uma ideia bastante difundida nas Igrejas cristãs de diversas denominações – criada pela filosofia cristã – é a de que o mundo não pode ter sido gerado do nada: o mundo veio da criação de Deus, e não do nada; afinal, se algo viesse do nada, ele deixaria de ser nada  para se tornar criador. Como sabemos, por dois motivos, muito se pode falar sobre o conceito de Deus na história da Filosofia. Primeiro, porque esse conceito foi um dos primeiros problemas filosóficos e, segundo, porque muitos sistemas filosóficos dependem desse conceito para saber sobre desenvolvimento. De qualquer forma, as ideias anteriormente esboçadas podem ser consideradas matrizes do problema filosófico de Deus. Deus não pode ser provado pela razão Existem algumas provas racionais da existência de Deus. Vejamos, sucintamente, as principais:
1. Todos os povos têm religião; a existência de uma divindade é um consenso universal (consensus gentis).
2. O mundo tem uma ordem e deve haver uma inteligência ordenadora de todas as coisas (São Thomas).
3. Tudo tem uma causa. Tudo que foi causado pode causar outras coisas. Deve haver algo que causa as coisas, mas não foi causado por ninguém. Deus é a causa não causada (Aristóteles).
4. Todas as coisas estão em movimento e movimentam outras coisas. O movimento é a passagem do que é (ato) para aquilo que pode vir a ser (potência). Deve haver um ser que movimenta as outras coisas, mas não é movimentado por nada, o primeiro motor – ou o motor imóvel (Aristóteles).
5. Tudo o que é alguma coisa participa de outra melhor. Por exemplo, algo quente participa do fogo. Cada ser tem um grau de perfeição, como o fogo e o objeto quente. O limite máximo da perfeição é Deus; acima Dele não há nada melhor (São Thomás).
6. Prova de São Thomás de Aquino — Cada ser precisa de algum outro para existir; este ser é chamado de ser possível. Por exemplo, para existir, uma criança precisa de um pai e de uma mãe. O pai e a mãe precisam de outros seres; estes, de outros, e assim por diante. Todas as coisas do mundo precisam de outro ser para existir. Mas há um ser que não precisa de ninguém para existir; a ele nós chamamos de ser necessário. Se todos os seres do mundo precisam de outro para existir, deve haver, portanto, um ser que dê a existência ao mundo e ao mesmo tempo não precise de nada para existir; esse ser necessário é Deus.
7. Prova de Santo Anselmo — Aquilo que nós não conseguimos pensar nada de maior não pode estar apenas no intelecto. Afinal, o intelecto não ultrapassa essa ideia nem a contém. Então, se o intelecto não ultrapassa essa ideia, quer dizer que ela também está fora dele, na realidade. Como um copo que transborda com a água, há água dentro e fora do copo. Deus é o ser que nós não conseguimos pensar nada maior. Por isso, ele não pode ser apenas uma ideia; ele é uma realidade. Para o filósofo Immanuel Kant, cada uma dessas provas é uma prova lógica, apenas racional. Mas nem sempre o que dá certo nas teorias lógicas acontece ou se repete no mundo real: a realidade não é devedora das nossas lógicas.
Nós somos seres que pensamos apenas por meio de categorias limitadas, como tempo e espaço.
Qualquer ser real, fora das nossas categorias, não pode ser conhecido, nem podemos provar a sua existência. Só podemos confirmar a existência de alguma coisa fazendo a experiência dela; do contrário, ela é uma suposição lógica, uma hipótese. Para Kant a prova de Santo Anselmo (item 7) incorre nesse erro. Do mesmo modo, a experiência objetiva nos diz que a prova da causalidade (3a) não é uma prova da existência de Deus. Nós sabemos que alguns efeitos têm determinadas causas.
De outros efeitos, não sabemos as causas. Por hipótese, é possível que haja uma causa inicial, mas, por não podermos repetir a experiência inicial, a prova perde seu valor. Novamente, o que é certo na lógica nem sempre é certo na realidade.

Kant disse o mesmo da prova da ordem do mundo. Se pensarmos que o mundo tem uma ordem, podemos certamente supor que haja alguém que tenha ordenado todas as coisas. Por exemplo, se olhamos uma casa bem feita, suporíamos que ali trabalhou alguém. Mas não sabemos quem foi esse alguém. Foi um arquiteto? Um engenheiro? Um pedreiro? Uma mulher? Um homem? Um jovem? Várias pessoas? Ou seja, sabemos que existe o mundo e que existe até mesmo certa ordem, mas quem é o responsável não podemos provar. Para Kant, a razão humana é limitada em diversos aspectos, reduzindo as possibilidades do nosso conhecimento. Mais ainda, ao procurar suas respostas, Kant não se contentava com jogos de palavras – não basta parecer que se prova, é preciso provar de verdade. Em sua obra A crítica da razão pura, Kant fez a crítica da razão sem as experiências e as provas da existência de Deus. Em outro livro, A crítica da razão prática, o filósofo procurou entender como funciona a racionalidade objetiva, isto é, envolvida com as experiências e, assim, com a vontade. Então, seria justamente na vontade livre do homem que Kant encontraria a certeza da existência de Deus. A razão prática se dá na ação do homem no mundo. Essa ação acontece pela condição única de ter uma consciência moral. Essa consciência moral está necessariamente ligada aos objetivos do homem – o que se deseja fazer, a vontade. Se tivermos objetivos, o caminho para eles é a razão deles, o seu dever. Sobre isso, Kant nos lembra que o dever só é bom porque ele é garantido pela liberdade; do contrário, não teria valor. Se a razão prática compreende os objetivos ideais, então não há diferença entre o ideal e o real; afinal, o dever é real e bom. Ser e dever ser encontram sua síntese: Deus. Deus é o sumo bem. Deus existe porque é nosso dever procurar o bem.





VOLTAIRE: ATEU, TEÍSTA, AGNÓSTICO, DEÍSTA OU PANTEÍSTA? 


Voltaire (1694 - 1778) é considerado um dos maiores defensores da liberdade civil e religiosa de todos os tempos. Iluminista consagrado, foi referencial para grandes nomes que se envolveram com a Revolução Francesa e a independência dos Estados Unidos. Em matéria de religião, o filósofo não deixou de revelar seu ponto de vista e, embora não tendo sido ateu, nem católico, pediu que lhe fosse dada a extrema unção. Pedido não aceito, acabou assinando uma última declaração, que será publicada no fim desta postagem. Em carta a Diderot, escreveu: "Confesso que não sou, em absoluto, da mesma opinião que Saunderson, que nega um Deus porque nasceu cego. Talvez eu esteja errado, mas no lugar dele eu reconheceria uma grande Inteligência que me deu tantos substitutos da visão; e percebendo, ao meditar, as maravilhosas relações entre todas as coisas, eu deveria ter desconfiado que existe um artífice infinitamente capaz. Se é muito presunçoso adivinhar o que Ele é e por que Ele fez tudo o que existe, parece-me também muito presunçoso negar que Ele existe." Voltaire não acreditva em milagres. Falando sobre um caso em que uma dona de um pardal havia rezado nove ave-marias em favor de seu referido passarinho (que acabou sobrevivendo), o filósofo retrucou: "Eu acredito numa Providência geral, cara irmã, que estabeleceu desde a eternidade a lei que governa todas as coisas, como a luz do sol, mas não creio que uma Providência particular altere a economia do mundo por causa do vosso pardal". Voltaire era deísta, embora vez por outra dava indícios de crer no panteísmo de Spinoza. Não foi ateu; pelo contrário, o achava antilógico. No final de sua vida achou que seria um bem para a Humanidade o homem acreditar piamente na existência de Deus. "Eu quero que meu advogado, meu alfaiate e minha mulher acreditem em Deus; assim, imagino, serei menos roubado, menos enganado", dizia Voltaire. E prosseguiu: "Quando essa crença evita até mesmo dez assassinatos, dez calúnias, afirmo que o mundo inteiro deve aderir a ela". Pelo menos em um ponto Voltaire e Platão comungavam da mesma ideia: "Se Deus não existisse, seria necessário inventá-lo". O filósofo iluminista era prático: se o fato de se acreditar em Deus traz algum benefício, que o mundo todo creia em Deus. Voltaire falava da essência da mensagem cristã, embora soubesse que, na prática, a Igreja não se revelava como ensinava a primitiva doutrina apostólica. Em 1755, Lisboa fora sacudida por um terremoto, exatamente quando a Igreja comemorava o Dia de Todos os Santos, o que fez com que milhares de mortes ocorressem dentro dos templos. O clero francês se pronunciou dizendo que tal fato ocorrera por causa do pecado do povo. Voltaire se revoltou e escreveu: "Ou Deus pode evitar o mal, mas não quer; ou quer evitá-lo, mas não consegue". Próximo de sua morte, o filósofo desejou visitar pela última vez Paris. Em seu último leito, recebeu visitas ilustres, como Benjamin Franklin, que levou um de seus netos para que Voltaire o abençoasse. Depois que colocou as mãos sobre o menino, afirmou: "Dedique-se a Deus e à liberdade". Ainda em seu último leito, um padre se dirigiu a ele a fim de lhe dar a extrema unção. Voltaire rejeitou e fez a seguinte indagação: "Quem vos mandou aqui, senhor padre?" Este respondeu: "O próprio Deus". Em seguida, Voltaire retrucou: "Pois onde estão as vossas credenciais?" Com este diálogo, o filósofo afirmou que não acreditava que os padres eram mensageiros de Deus aos homens. Não se sabe se por arrependimento ou se pelo fato de Voltaire ter sido um homem de forte personalidade, ele pediu que outro padre se fizesse presente para que ouvisse sua última confissão. O novo padre disse que só o faria se Voltaire assinasse uma profissão de plena fé na doutrina católica. Voltaire se rebelou e dispensou o padre. Em vez da confissão de fé na Igreja, terminou assinando uma declaração que diz: "Morro adorando a Deus, amando meus amigos, sem odiar meus inimigos e detestando a superstição. (Assinado) Voltaire, 20 de fevereiro de 1778". Ele morreu no dia 30 de maio do mesmo ano.




INTRODUÇÃO À FILOSOFIA DA CULTURA – MITO E CULTURA

O Banquete, também conhecido como Simpósio (em grego antigo: Συμπόσιον, transl. Sympósion) é um diálogo platônico escrito por volta de 380 a.C.. Constitui-se basicamente de uma série de discursos sobre a natureza e as qualidades do amor (eros). Hesíodo, poeta grego do século VIII a. C., escreveu uma obra denominada Teogonia, na qual descreve em poemas a origem dos deuses gregos. Para ele, o deus do amor, Eros, era filho do primeiro deus manifesto no mundo: deus Caos. No poema de Hesíodo, Eros é o deus de extrema beleza e capaz de organizar o mundo, fazendo com que os seres saiam do caos e construam o cosmo. Em grego antigo, caos significa o início sem ordem e cosmo é o mundo organizado. Eros é o deus capaz de unir os seres e de organizar o mundo. Porém, na própria Antiguidade grega, há uma outra interpretação para a origem e o papel deste deus. Posterior à obra de Hesíodo, outro modo de interpretar o amor está registrado no diálogo O banquete, de Platão, segundo o qual o amor emana de um deus cujos pais são Poros (deus identificado como Recurso, por sua capacidade de encontrar recursos materiais) e Penia (deusa identificada como Pobreza). No dia do nascimento de Afrodite, deusa da beleza, Poros e Penia se encontraram e conceberam Eros, deus que vive com necessidade do outro, com necessidade de superar sua condição de um ser que nada tem e ao mesmo tempo um deus inteligente, inventivo, que por ser concebido no dia do nascimento de Afrodite, era belo, capaz de conquistar e de unir-se aos outros seres. A associação de Eros à deusa Afrodite foi interpretada por poetas posteriores a Hesíodo como uma relação de mãe e filho. Há uma tradição bastante divulgada sobre a mitologia grega que apresenta Eros como filho de
Hermes e Afrodite.
Cultura versus natureza - Quando falamos a palavra “cultura”, podemos pensar em duas possibilidades. Uma na qual essa palavra é entendida como acúmulo de conhecimentos e outra na qual a palavra “cultura” é entendida como ação dos homens sobre a natureza por meio do trabalho. O conceito de cultura é derivado da natureza, em especial do ato de cultivar uma lavoura. Por isso, a cultura tem seu início absolutamente material, passando, mais tarde, a ser entendida como atividade do espírito, principalmente como atividade dos homens urbanos, não mais do meio rural. O indivíduo culto não é mais o lavrador, e sim o estudioso da cidade. Nessa concepção mais tradicional de cultura, ela aparece como relação do homem com a natureza – a cultura pertence ao mundo dos homens e é a sua forma de vencer os descaminhos e os sofrimentos causados pela natureza; a cultura está no mundo do espírito humano e deve, por seu turno, colonizar quem está próximo à natureza e distante do mundo intelectual.
Cultura e Estado - Com certeza, não é partindo do nada que imaginamos o que queremos ser ou nos tornar. Por isso, precisamos da ajuda ou do exemplo dos outros. Por exemplo, se alguém quiser ser ator, necessitará de apoio para isso, desde o financeiro até o incentivo para o exercício da arte de representar. Ora, o Estado brasileiro tem o dever de ajudar as pessoas a se formar como cidadãos, como repetimos exaustivamente. No entanto, a mera repetição dessa ideia produz resultados infinitamente pequenos. É preciso considerar outros campos de atuação estatal que incluem, por exemplo, a regulamentação dos meios de comunicação, as políticas educacionais e os incentivos artísticos e culturais. Nessa concepção, a cultura é o que está entre a maquinaria do Estado e a sociedade civil, criando tensões e, ao mesmo tempo, produzindo unidades entre um e outro. Do ponto de vista do Estado, a cultura deve ser civilizadora, isto é, deve fazer com que as pessoas se tornem mais sociáveis.  Portanto, podemos concluir que relativismo cultural, corresponde ao olhar os outros sabendo que nosso juízo está submetido aos nossos valores. Segundo Cassirer, o homem é um ser simbólico porque: compreende o mundo e os outros, por meio de símbolos, ritos, gestos, mitos e religião.

MITO E CULTURA
Poetas e filósofos da Grécia Antiga, no período que abarca os séculos VIII, VII e VI a.C., registraram diferentes interpretações para compreender o amor e sua importância para os seres humanos. Hesíodo, poeta grego do século VIII a. C., escreveu uma obra denominada Teogonia, na qual descreve em poemas a origem dos deuses gregos. Para ele, o deus do amor, Eros, era filho do primeiro deus manifesto no mundo: deus Caos. No poema de Hesíodo, Eros é o deus de extrema beleza e capaz de organizar o mundo, fazendo com que os seres saiam do caos e construam o cosmo. Em grego antigo, caos significa o início sem ordem e cosmo é o mundo organizado. Eros é o deus capaz de unir os seres e de organizar o mundo. Porém, na própria Antiguidade grega, há uma outra interpretação para a origem e o papel deste deus. Posterior à obra de Hesíodo, outro modo de interpretar o amor está registrado no diálogo O banquete, de Platão, segundo o qual o amor emana de um deus cujos pais são Poros (deus identificado como Recurso, por sua capacidade de encontrar recursos materiais) e Penia (deusa identificada como Pobreza). No dia do nascimento de Afrodite, deusa da beleza, Poros e Penia se encontraram e conceberam Eros, deus que vive com necessidade do outro, com necessidade de superar sua condição de um ser que nada tem e ao mesmo tempo um deus inteligente, inventivo, que por ser concebido no dia do nascimento de Afrodite, era belo, capaz de conquistar e de unir-se aos outros seres. A associação de Eros à deusa Afrodite foi interpretada por poetas posteriores a Hesíodo como uma relação de mãe e filho. Há uma tradição bastante divulgada sobre a mitologia grega que apresenta Eros como filho de Hermes e Afrodite.
Cultura versus natureza - Quando falamos a palavra “cultura”, podemos pensar em duas possibilidades. Uma na qual essa palavra é entendida como acúmulo de conhecimentos e outra na qual a palavra “cultura” é entendida como ação dos homens sobre a natureza por meio do trabalho. O conceito de cultura é derivado da natureza, em especial do ato de cultivar uma lavoura. Por isso, a cultura tem seu início absolutamente material, passando, mais tarde, a ser entendida como atividade do espírito, principalmente como atividade dos homens urbanos, não mais do meio rural. O indivíduo culto não é mais o lavrador, e sim o estudioso da cidade. Nessa concepção mais tradicional de cultura, ela aparece como relação do homem com a natureza – a cultura pertence ao mundo dos homens e é a sua forma de vencer os descaminhos e os sofrimentos causados pela natureza; a cultura está no mundo do espírito humano e deve, por seu turno, colonizar quem está próximo à natureza e distante do mundo intelectual.
Liberdade e determinismo - Se retomarmos a questão posta à lousa, temos aqui uma importante reflexão. Quem nos governa, a natureza ou nossas ideias? Nosso corpo ou nosso pensamento? Dessa maneira, a cultura pode significar o uso da liberdade, enquanto a natureza pode significar o determinismo biológico. Ao imaginar, sonhar, planejar, escrever, trabalhar, conduzir, governar, rezar ou se divertir, o homem exerce sua liberdade, enfrenta os sofrimentos causados pela natureza, prevê condições de alívio e consola-se diante do inevitável ou das suas derrotas. O homem percebe seu lugar de origem, sua identidade e, ao mesmo tempo, compreende que pode mudar e ter suas raízes autotransportadas. A natureza estaria apenas posta diante dos homens, exigindo deles não mais que uma vida animal, submetendo-os aos destinos dos que não pensam antes de agir, dos que não imaginam nem planejam uma vida mais significativa. A natureza impõe o corpo, a fome, o impulso sexual, a necessidade de saciar a sede, a doença, o cansaço, o calor e o frio. Com a natureza, o destino do homem está traçado. Um destino nada significativo, assim como a vida e a morte de qualquer animal.
A cultura em transição com a natureza - Um dos atos culturais por excelência é a arte. Seria possível imaginá-la sem a natureza? Como pensar um quadro paisagístico sem a paisagem e sem o material como a tela e a tinta que se originam na natureza? Uma música sem paixão? Um marceneiro sem a madeira? Um escultor sem a pedra ou o metal? Segundo essa
concepção, natureza e cultura estão em acordo recíproco. Por isso, o homem não é fruto determinado de seu ambiente; ele é livre, mas é intimamente influenciado pela natureza. Voltando ao exemplo da arte, por mais livre que seja um pintor, ele estará, ao mesmo tempo, limitado e inspirado por seus instrumentos – o tipo de pelo animal de seu pincel, o tipo de pigmento de sua tinta, a paisagem, o objeto ou o corpo que quer representar. Limitado, porque talvez não consiga colocar na tela seus sentimentos mais profundos; inspirado, porque sabe que pode fazer algo cada vez mais belo, com base naquilo que a natureza lhe oferece, porque domina sua técnica, avança em seus limites, diz o que ainda não foi dito, ou reproduz o já expresso
de seu próprio modo. Assim, convém relativizar a ideia naturalista, que afirma ser a cultura uma expressão da natureza e sua determinação, o que devemos fazer também com o idealismo, pois as ideias estão associadas diretamente ao ambiente das pessoas. O fazer e o natural estão, portanto, indissociavelmente ligados.
A cultura é uma construção de si mesmo - Quando pensamos que a cultura constrói cada um de nós, o nosso eu, podemos supor uma divisão em nós: o eu inferior e o eu superior. Nessa relação, a natureza estaria no eu inferior, como desejo e paixão, e a cultura estaria no eu superior, como vontade e razão. Desse modo, a natureza não estaria apenas em nosso corpo ou em nosso entorno. Ela está no mais íntimo de cada um de nós. Mesmo assim, a natureza não seria capaz de
nos saciar, porque não poderíamos viver apenas de desejos e porque, se isso fosse possível, não precisaríamos de cultura. A cultura é uma necessidade física e subjetiva de cada um de nós. Por essa ideia de cultura, podemos entender que somos capazes de nos inventar, já que estamos sempre nos fazendo. Assim, por exemplo, uma pessoa culta é aquela pessoa que inventou um ser para si. Por exemplo, se alguém quiser ser roqueiro, o que deve fazer? No mínimo, deve aprender a escutar rock, conversar com quem entende do assunto, ler sobre ele, aprender a tocar algum instrumento. O indivíduo não nasceu roqueiro; ele se inventou, criou uma forma pessoal de ser. Do mesmo modo, qualquer um de nós pode se inventar. Caso não nos inventemos, estaremos determinados pelo mundo que nos rodeia. Podemos ser pessoas pacientes, agradáveis, chatas; enfim, tudo é questão de escolha e atividade cultural. Mas nem sempre se inventar é fácil. Somos uma espécie de planta que precisa ser cultivada por nós mesmos.
Cultura e Estado - Para discutir a relação entre cultura e Estado, apresente aos alunos, inicialmente, um conceito sucinto de Estado. Em seguida, pergunte-lhes: Além de nós e das influências que recebemos de outras pessoas, quem pode nos ajudar a nos inventar? Com certeza, não é partindo do nada que imaginamos o que queremos ser ou nos tornar. Por isso, precisamos da ajuda ou do exemplo dos outros. Por exemplo, se alguém quiser ser ator, necessitará de apoio para isso, desde o financeiro até o incentivo para o exercício da arte de representar. Ora, o Estado brasileiro tem o dever de ajudar as pessoas a se formar como cidadãos, como repetimos exaustivamente. No entanto, a mera repetição dessa ideia produz resultados infinitamente pequenos. É preciso considerar outros campos de atuação estatal que incluem, por exemplo, a regulamentação dos meios de comunicação, as políticas educacionais e os incentivos artísticos e culturais. Nessa concepção, a cultura é o que está entre a maquinaria do Estado e a sociedade civil, criando tensões e, ao mesmo tempo, produzindo unidades entre um e outro. Do ponto de vista do Estado, a cultura deve ser civilizadora, isto é, deve fazer com que as pessoas se tornem mais sociáveis.
Conceito de cultura - Em geral, podemos dizer que a cultura é a ação dos homens com ou sobre a natureza, por meio da objetivação da consciência (Hegel), pelo trabalho em sociedade (Marx), pela instituição de símbolos (Cassirer), por uma lei simbólica (Lévi-Strauss), por meio do contrato social (Rousseau), por meio da  educação (Cícero). Em síntese, essa ação produz técnicas, valores, conhecimentos, ideias, religiões, artes e tudo o que circunscreve o mundo humano.





INTRODUÇÃO À FILOSOFIA DA ARTE – NIETZSCHE

Friedrich Nietzsche (1844-1900) foi um filósofo e escritor alemão de grande influência no Ocidente. Sua obra mais conhecida é “Assim Falava Zaratustra” ( O pensador estendeu sua influência para além da filosofia, penetrando na literatura, poesia e todos os âmbitos das belas artes. Para Nietzsche, os gregos perceberam que há duas forças diferentes na arte e na vida. Uma ele chamou de apolíneo e a outra de dionisíaco. Da mesma maneira que uma criança que para chegar ao mundo necessita dos dois sexos, a arte necessita dessas duas forças. Elas nem sempre estão unidas, lutam uma com a outra, porque são muito diferentes. No entanto, ao observar essa luta e os momentos de reconciliação, pode-se retirar profundos ensinamentos sobre a vida. 
A luta do dionisíaco e do apolíneo nos revela a própria vida humana, que apresenta sonho, paixão, transformações, festa, prazeres do corpo e do espírito, situações sombrias, necessidade de ordem, lutas. Apolo é o deus das imagens e das artes plásticas, o impulso do visual. Dionísio é o deus da música, do que é visual e corpóreo, como a dança. Os gregos conseguiram reunir essas duas forças na tragédia grega. Algumas características do apolíneo e do dionisíaco: Apolíneo: Sonho (homem adormece); Aparência (o homem copia as formas); Filosofia (na razão que faz pensar); Luz (nada pode ser oculto); Ordem (tudo deve ser harmônico); Do individual (se entende como único). E Dionísiaco: Embriaguez (do vinho e dos prazeres – a loucura); Da dança (sentir a natureza do corpo); Selvagem (viver com a força das paixões); Da mutação (não precisar sempre ser o mesmo, o devir); Violência (como na natureza); Do coletivo (esquecer de si em meio a algo maior, como na alegria da festa, ou da natureza).
Diferentemente da maioria dos intelectuais de seu tempo, Nietzsche procurou não olhar a arte apenas como serenidade, como era vista pela cultura romântica da sua época, mas como impulso, pulsão e instinto. Para ele, a arte que procura a serenidade é algo absolutamente superficial, assim como “a arte pela arte” era apenas “um verme que se morde o rabo”. Para pensar a arte, Nietzsche recorreu à mitologia da religião grega antiga, em especial aos deuses Dionísio (o deus do vinho e do prazer) e Apolo (o deus da perfeição, da cura e do Sol). Para Nietzsche, Apolo representava o desejo de descansar dos problemas da vida, como no sonho, mas, ao fazer arte, o homem encontraria uma reparação dos infortúnios da vida. Dessa maneira, por meio da criação de imagens, o homem enfrentaria a sua finitude, a sua solidão e a força destruidora da natureza presente em cada um. A arte seria, assim, um consolo para o sofrimento da existência. Desse modo, cada um dos deuses gregos representava algo de profundamente humano. Dionísio, por sua vez, representava o outro lado da arte, a embriaguez como o esvaziamento do eu. Por ele, esqueceríamos de nós e nos uniríamos à natureza, produzindo prazer e terror. A subjetividade acabaria anulada no profundo contato com a exterioridade da arte. Portanto, há na cultura grega as duas dimensões, a saber: a dimensão apolínea da continuidade, da construção e do otimismo; e a dimensão dionisíaca, do retorno à natureza, da ruptura e do pessimismo. Unidos, esses dois elementos produziram a tragédia grega, com as imagens provenientes de Apolo, e a música, proveniente de Dionísio.






Objetivos das Situações de Aprendizagens 6, 7, e 8 de Filosofia – 1º ano.

S.A 6 - INTRODUÇÃO À FILOSOFIA DA RELIGIÃO –DEUS E A RAZÃO = O objetivo desta Situação de Aprendizagem é apresentar ao aluno o uso da racionalidade relacionada à existência de Deus. Seria possível conhecer Deus com base na razão? Como ela pode saber sobre Sua existência? Há limites?
Conteúdos e temas: Deus; provas da existência de Deus; Kant; Voltaire; tolerância.
Competências e habilidades: desenvolver noções sobre os limites da racionalidade e, ao mesmo tempo, abrir espaço para o diálogo com base nas questões de alteridade.

S.A. 7 - INTRODUÇÃO À FILOSOFIA DA CULTURA – MITO E CULTURA = Considerando a importância da compreensão do homem em sua dimensão simbólica, objetiva-se, com esta Situação de Aprendizagem, a problematização dos aspectos simbólicos e filosóficos da cultura.
Conteúdos e temas: mito; cultura; alteridade; etnocentrismo e relativismo cultural.
Competências e habilidades: as competências aqui consideradas dizem respeito à reflexão e à práxis da alteridade. Ao compreender o aspecto simbólico do homem, o aluno terá a oportunidade de reforçar seus compromissos de cidadania e respeito à diferença.

S.A. 8 - INTRODUÇÃO À FILOSOFIA DA ARTE – NIETZSCHE = A Filosofia da Arte é fundamental para o desenvolvimento integral e existencial do educando. Por isso, você poderá discutir, com base em Nietzsche, a formação do pensamento estético e relacioná-lo com a Mitologia e a cultura.
Conteúdos e temas: Nietzsche; arte; dionisíaco; apolíneo.
Competências e habilidades: ao final desta Situação de Aprendizagem, o aluno deverá ser capaz de perceber a condição estética e existencial do homem. Desse modo, desenvolverá a escrita, relacionando-a ao sentido do belo e à compreensão da vida e da cultura, em sentido amplo.


TRABALHO DE FILOSOFIA

1) Redija um texto dissertativo-argumentativo, abordando e relacionando a ideia central da Situação de Aprendizagem 6, com a ideia central sobre a visão de Voltaire em relação à Deus:  
             
2) Refletir e registrar sobre a importância do conceito de alteridade para a análise de diferentes culturas:

3) Relacionar e registrar práticas de cidadania ao respeito às diferenças:

4) Discutir e registrar a condição estética e existencial dos seres humanos:

5) Questionar e registrar o conceito de etnocentrismo no contexto da reflexão sobre relações entre diferentes culturas:

6)  Discutir e registrar a relação entre cultura e natureza:
            





terça-feira, 16 de agosto de 2016

"O MUNDO EM SUAS MÃOS" - E.E. Oswaldo Cruz/Cruzeiro-SP


A Eletiva apoiará o cumprimento dos componentes curriculares da Base Nacional Comum e serão suporte para que não se produzam novas defasagens na aprendizagem dos alunos. Essas aulas se articulam com as áreas de conhecimento, e também está diretamente relacionada à excelência acadêmica, pois favorece a construção do conhecimento pelo aluno, estimulando o desenvolvimento do Protagonismo Juvenil e dos Quatro Pilares da Educação (aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser), visando subsidiá-los para a construção do projeto de vida.

domingo, 14 de agosto de 2016

7/9/1822


Atividade para reflexão

1) Apesar de conseguir a Independência, a situação social no Brasil não se alterou. D. Pedro I continuava governando para os grandes proprietários de terras, traficantes de escravos e comerciantes. A escravidão não foi abolida e o poder continuou centralizado na pessoa do Imperador, excluindo a imensa maioria da população da participação política. 
Trace um paralelo sobre o assunto abordado, com a situação social, econômica e principalmente política atual do Brasil:

sábado, 28 de maio de 2016

Família Real Portuguesa no Brasil


ATIVIDADE AVALIATIVA (TRABALHO)

1) Elaborar uma linha do tempo com a sequência de acontecimentos, tomando-se como eixo a presença da corte portuguesa no Brasil e suas decorrências.



Sugestões para pesquisa:

http://www.coladaweb.com/historia-do-brasil/vinda-da-familia-real-ao-brasil

http://www.suapesquisa.com/historiadobrasil/vinda_familia_real.htm


http://www.historiamais.com/familia_real.htm


https://pt.wikipedia.org/wiki/Transfer%C3%AAncia_da_corte_portuguesa_para_o_Brasil


http://opiniaoenoticia.com.br/cultura/a-chegada-da-corte-portuguesa-ao-brasil/


http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=444



quarta-feira, 25 de maio de 2016

Vinda da Família Real para o Brasil - Período Joanino (1808-1821)

Introdução

Em janeiro de 1808, Portugal estava preste a ser invadido pelas tropas francesas comandadas por Napoleão Bonaparte. Sem condições militares para enfrentar os franceses, o príncipe regente de Portugal, D. João, resolveu transferir a corte portuguesa para sua mais importante colônia, o Brasil. Contou, neste empreendimento, com a ajuda dos aliados ingleses.



Chegada da família real ao Brasil 

Nos quatorze navios, além da família real, vieram centenas de funcionários, criados, assessores e pessoas ligadas à corte portuguesa. Trouxeram também muito dinheiro, obras de arte, documentos, livros, bens pessoais e outros objetos de valor. 

Após uma forte tempestade, alguns navios foram parar em Salvador e outros na cidade do Rio de Janeiro. Em março de 1808, a corte portuguesa foi instalada no Rio de Janeiro. Muitos moradores, sob ordem de D. João, foram despejados para que os imóveis fossem usados pelos funcionários do governo. Este fato gerou, num primeiro momento, muita insatisfação e transtorno na população da capital brasileira.

No ano de 1818, a mãe de D. João, D. Maria I, faleceu e D. João tornou-se rei. Passou a ser chamado de D. João VI, rei do Reino Unido a Portugal e Algarves. 

Abertura dos portos às nações amigas

Uma das principais medidas tomadas por D. João foi abrir o comércio brasileiro aos países amigos de Portugal. A principal beneficiada com a medida foi à Inglaterra, que passou a ter vantagens comerciais e dominar o comércio com o Brasil. Os produtos ingleses chegavam ao Brasil com impostos de 15%, enquanto de outros países deveriam pagar 24%. Este privilégio fez com que nosso país fosse inundado por produtos ingleses. Esta medida acabou prejudicando o desenvolvimento da indústria brasileira.

Medidas tomadas por D. João

D. João adotou várias medidas econômicas que favoreceram o desenvolvimento brasileiro. Entre as principais, podemos citar: estímulo ao estabelecimento de indústrias no Brasil, construção de estradas, cancelamento da lei que não permitia a criação de fábricas no Brasil, reformas em portos, criação do Banco do Brasil e instalação da Junta de Comércio.


  Dom João VI

Do ponto de vista cultural, o Brasil também saiu ganhando com algumas medidas tomadas por D. João. O rei trouxe a Missão Francesa para o Brasil, estimulando o desenvolvimento das artes em nosso país. Criou o Museu Nacional, a Biblioteca Real, a Escola Real de Artes e o Observatório Astronômico. Vários cursos foram criados (agricultura, cirurgia, química, desenho técnico, etc) nos estados da Bahia e Rio de Janeiro.

Retorno de D. João para Portugal

Os franceses ficaram em Portugal durante poucos meses, pois o exército inglês conseguiu derrotar as tropas de Napoleão. O povo português passou a exigir o retorno do rei que se encontrava no Brasil. Em 1820, ocorreu a Revolução do Porto, sendo que os revolucionários vitoriosos passaram a exigir o retorno de D. João VI para Portugal e a aprovação de uma Constituição. Pressionado pelos portugueses, D. João VI resolveu voltar para Portugal, em abril de 1821. Deixou em seu lugar, no Brasil, o filho D. Pedro como príncipe regente. 

Pouco tempo depois, D. Pedro tornou-se imperador, após o processo de Independência do Brasil (7 de setembro de 1822).

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Revolução Francesa

ATIVIDADE AVALIATIVA (TRABALHO)


1) Pesquise a situação socioeconômica do povo brasileiro, nas últimas décadas e relacione-a, com o assunto abordado (Revolução Francesa). Com base na pesquisa realizada, redija um texto dissertativo-argumentativo, sobre o ideal de liberdade, a igualdade de todos perante a lei, o princípio da soberania do povo, a ideia da lei como expressão da vontade geral, a ideia de separação dos poderes, o direito de resistência à opressão, a garantia à propriedade, a defesa da dignidade humana e o ideal de felicidade, presentes nos artigos da Declaração.

Sugestões para pesquisa:


http://brasilescola.uol.com.br/sociologia/transformacoes-socioeconomicas-no-brasil-decada-50.htm

http://www.empreendedoresweb.com.br/atual-situacao-economica-do-brasil/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Problemas_sociais_do_Brasil

http://plataformapoliticasocial.com.br/o-brasil-pertence-ao-povo-brasileiro-a-era-dos-velhos-donos-acabou/

http://www.cartacapital.com.br/politica/politica-brasileira-funciona-ha-muito-tempo-no-improviso-3296.html

http://brasil.elpais.com/brasil/2014/09/22/opinion/1411396771_691913.html

http://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2016/05/brasil-vai-passar-por-uma-evolucao-nao-uma-revolucao-diz-jan-piotrowski-da-economist.html

https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o

A Revolução Francesa



A Revolução Francesa de 1789 faz parte do contexto das Revoluções Burguesas que promoveram a superação do feudalismo no mundo ocidental, tal como a Revolução Inglesa e a Revolução Americana. Para uma compreensão geral a Revolução Francesa, é necessário observar os antecedentes da revolução e os fatores principais que levaram a sua eclosão.

Causas da Revolução Francesa de 1789

Vamos analisar as causas da Revolução Francesa dividindo-as em três aspectos: os aspectos sociais, os aspectos econômicos e os aspectos políticos que caracterizavam a França pré-revolucionária.

Causas sociais da Revolução Francesa

A sociedade francesa no Antigo Regime possuía uma organização estamental sendo dividida em primeiro estado (alto e baixo clero), segundo estado (nobreza de sangue e nobreza de toga) e terceiro estado (alta burguesia, baixa burguesia, trabalhadores urbanos e camponeses). Essa divisão não satisfazia os anseios da burguesia, grupo que possuía um papel econômico cada vez mais importante, mas que ainda se sentia desprestigiado com a estrutura social estamental que privilegiava a nobreza.



Causas econômicas da Revolução Francesa

A França vivia uma profunda crise financeira antes da revolução. Participação em guerras como a Guerra dos Sete Anos e a Independência dos EUA acarretaram em gastos vultosos. Os enormes custos com a manutenção da corte em Versalhes também comprometiam as finanças públicas, assim como a isenção de impostos ao clero e à nobreza. Um tratado de comércio com a Inglaterra previa facilidade para a venda de vinho francês em troca de facilidade de entrada de tecido inglês na França, causando revolta na burguesia francesa que não podia competir com o baixo custo do produto inglês. Fatores climáticos que prejudicaram a produção agrícola assim como as barreiras feudais à produtividade, elevaram o preço do trigo tornando até o pão um elemento de difícil acesso à população pobre o que agravou a miséria e o descontentamento.

Causas políticas da Revolução Francesa

Além do caos administrativo, o governo dos últimos reis da dinastia dos Bourbons, Luis XV e Luis XVI, não aparentavam ter compromisso com a solução dos problemas que assolavam a França. O poder centralizado nas mãos do rei era contestado pelos ideais iluministas que questionavam a ordem do Antigo Regime, sendo que as idéias iluministas já faziam parte do ideário político do terceiro estado, assim como cresciam os adeptos às idéias liberais no campo econômico. A Assembléia dos Estados-Gerais com suas atribuições consultivas não era convocada por um monarca francês desde 1614, o que demonstrava o grau de centralização política na França.

Fases da Revolução Francesa


Tentativas de reformas

A crise econômica insistente e as seguidas revoltas dos camponeses levaram a monarquia a tentar promover reformas que amenizassem a situação, mas o que se viu foram seguidas reformas ministeriais frustradas por conta da relutância da nobreza em ceder partes de seus privilégios. A crises ministeriais se seguiram com a demissão seqüencial de ministros como Turgot, Calonne, Briene e Necker que não resistiram à pressão da nobreza. Calonne havia tentado criar um imposto territorial que atingisse a nobreza, mas foi demitido sem que seu projeto fosse sequer analisado pela Assembléia dos 144 Notáveis designados pelo rei. Necker que havia sido demitido após publicar um relatório com os gastos da corte, retornou ao cargo de ministro das finanças e convenceu o rei a convocar a Assembléia dos Estados-Gerais.

Assembléia dos Estados-Gerais (1788)

Os Estados-Gerais se reuniram em Versalhes em 5 de maio de 1788. Era composto pelos notáveis (primeiro e segundo estados) e o terceiro estado. Embora o terceiro estado possuísse mais deputados, a vantagem era dos notáveis já que o voto era por estado e não por indivíduo. Assim sendo, unidos, o primeiro e o segundo estados sempre sairiam vitoriosos nas votações. O terceiro estado insistia que o voto fosse individual mas o rei sustentou seu apoio aos notáveis, o que levou os terceiro estado a se retirar e se reunir separadamente na quadra do Jogo da Péla, afirmando que não iria se dispersar até que o rei aceitasse uma constituição que pusesse limites ao seu poder e se auto-proclamaram “Assembléia Nacional”.

Assembléia Nacional Constituinte (1789-1791)

Não conseguindo dissolver a reunião do terceiro estado, Luis XVI cede e permite que clero e nobreza se unam a eles formando a Assembléia Nacional Constituinte, que deveria promulgar uma constituição a qual o rei se submeteria. Rumores de uma conspiração por parte da nobreza e da realeza somados ao posicionamento de tropas próximos a Paris e a demissão de Necker, fizeram com que o temor tomasse conta dos revoltosos e deu-se o estopim da insurreição.

Em 14 de julho os insurrectos tomaram a Bastilha, símbolo do Antigo Regime onde eram mantidos os presos políticos. Revoltas camponesas se alastravam por toda parte o temor de algo pior fez com que os três estados forçosamente abolissem os direitos feudais. Logo em seguida é feita a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, com base nos ideais de liberdade, igualdade, direito à propriedade privada e de resistência à opressão. Os bens do clero são confiscados e passam a servir de lastro para a emissão dos assignats que eram uma espécie de papel moeda. A desigualdade de impostos entre os estados também é abolida.


Assembléia Legislativa e Monarquia Constitucional (1791-1792)

Em setembro de 1791 a Constituição fica pronta e a Monarquia Constitucional de base censitária fica estabelecida. Apenas cidadãos que possuíssem uma determinada renda poderiam ter direitos políticos. A Assembléia composta por deputados possuiria o poder legislativo e ao rei caberia o poder executivo sendo que a monarquia permaneceria hereditária. Embora o rei Luis XVI tenha se negado em princípio a acatar a Constituição e tentado fugir da França, foi preso em Varennes e reconduzido a Paris onde foi forçado a assinar o documento em julho de 1791.

A burguesia conseguiu se separar do terceiro estado e a nova legislação que limitava a atividade política dos trabalhadores e eliminava privilégios da nobreza estendendo restrições econômicas à maioria, transformava assim a França num estado burguês, onde grupos políticos como o dos girondinos (alta burguesia) e jacobinos (baixa burguesia) disputavam o poder.

A nobreza francesa passou a buscar apoio no exterior para restaurar o Estado absolutista ao mesmo tempo em que as dificuldades econômicas permaneciam no governo revolucionário. No momento em que o exército absolutista formado em parte por nobres emigrados passou a marchar sobre o território francês, os jacobinos forneceram armas à população constituindo um exército popular conhecido como “a comuna insurrecional de Paris”, enfrentando o exército dos emigrados e prussianos na Batalha de Valmy, onde o exército popular obteve vitória sob o comando de Robespierre, Marat e Danton, sendo o rei acusado de traição por colaborar com os inimigos e finalmente proclamada a República.



Convenção Nacional (1792-1795)

Com o fim da Monarquia e o advento da República, tem o início o período da Convenção Nacional que se divide em dois momentos: a República Girondina (setembro de 1792 a junho de 1793) e a República Jacobina (junho de 1793 a julho de 1794). O período girondino que é caracterizado pelo comando da alta burguesia, é marcado por medidas moderadas destinadas a preservar a propriedade privada e a alijar as massas populares do poder. Com o processo de Luis XVI após serem descobertos acordos secretos do rei com soberanos estrangeiros, a disputa entre girondinos e jacobinos se tornou mais acirrada e foi determinada a condenação do rei à morte, para escândalo das monarquias estrangeiras.

Num momento onde conturbações internas e externas se avolumavam, os jacobinos tomam o poder com apoio dos sans-cullotes (indivíduos das camadas mais baixas) e conseguem grande apoio ao propor medidas populares como a atribuição do direito universal do voto. No período jacobino a escravidão é abolida nas colônias, os camponeses deixam de ter a obrigação de indenizarem os antigos senhores, é criada a “Lei do Máximo” fixando um teto para preços e salários e é organizado um exército revolucionário e popular para enfrentar as ameaças externas. O poder executivo passa a ser exercido pelo Comitê de Salvação Pública e ao Comitê de Segurança Geral passa a caber a função de descobrir suspeitos de traição. Em junho de 1794 se inicia o período do Grande Terror após Robespierre guilhotinar seus principais opositores e implementar um política de punição aos suspeitos de conspiração. A economia nesse momento é dirigida com vistas à defesa da nação e em benefício da média burguesia, ficando as massas populares insatisfeitas com o teto máximo salarial e a proibição das greves.

Com a população cansada da repressão e a alta burguesia irritada com o dirigismo econômico, a convenção vota a detenção de Robespierre em 27 de julho de 1794 (9º Termidor). Após Robespierre e seus apoiadores serem guilhotinados sem julgamento, tem fim a Convenção Montanhesa e se inicia a Convenção Termidoriana com os girondinos de volta ao poder. As políticas sociais e econômicas implementadas pelos jacobinos sofreram um revés e os apoiadores de Robespierre foram perseguidos no que ficou conhecido como "Terror Branco”. A experiência de radicalismo democrático da República Jacobina fica para trás e em seguida se inicia a fase do Diretório com o rápido declínio dos ideais republicanos.

Diretório (1795-1799)

Preocupada com uma reação monarquista e com os levantes populares, a burguesia termidoriana cria em 1795 uma nova Constituição (do Ano III) e determina a existência da Câmara dos Quinhentos e Câmara dos Anciãos para representarem o poder legislativo. O poder executivo ficaria ao cargo do Diretório, formado por cinco membros com a finalidade de estabilizar a Revolução. Externamente, o exército francês passou a obter seguidas vitórias sob o comando do general Napoleão Bonaparte que através de um golpe de Estado iria assumir o poder em 1799 com apoio de boa parte da burguesia no 18 de Brumário que marcou o fim da Revolução Francesa.


Consequências da Revolução Francesa

Em síntese, a Revolução Francesa significou o primeiro grande sucesso da burguesia no sentido de conquistar o poder político e dirigir o Estado de maneira a satisfazer seus interesses, deixando para trás os entraves do absolutismo e do mercantilismo e implementando suas propostas liberais após canalizar as insatisfações das camadas populares, tirando proveito para si mesma. A Revolução Francesa teve um alcance muito além da história francesa, pois impulsionou a ascensão da burguesia em toda Europa acelerando o colapso do Antigo Regime.