quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Cidade ecológica em Portugal terá cérebro e sistema nervoso

Portugal deverá ter sua própria eco-cidade já em 2015.


E com um diferencial absolutamente futurístico: a cidade terá não apenas um cérebro eletrônico, mas também seu próprio sistema nervoso, capaz de "sentir" e controlar tudo, do uso da água ao consumo de energia.
Cidade ecológica
A cidade ecológica vai se chamar PlanIT Valley, e será construída nas cercanias de Paredes, no nordeste de Portugal. Ela deverá ser a primeira cidade ecológica a ficar pronta.
A eco-cidade de Masdar, que está sendo construída nos Emirados Árabes, já começou a receber seus primeiros habitantes, mas só deverá estar concluída por volta de 2020.
Já a versão de eco-cidade da China, Dongtan, próxima a Xangai, ainda não saiu do papel, e o projeto está enfrentando sérias dificuldades políticas e de orçamento.
Os portugueses pretendem que PlanIT Valley esteja totalmente pronta em 2015, graças a técnicas de construção pré-fabricada otimizada com uma tecnologia de projeto aeroespacial.
Metabolismo urbano
Como as outras eco-cidades, PlanIT Valley irá usar apenas energias renováveis, vai reciclar seu lixo, tratar seus esgotos e os telhados serão cobertos com plantas, que ajudarão a controlar a temperatura no interior dos edifícios e residências, absorver a água da chuva e assimilar poluentes.
Mas, a partir daí começam as diferenças. A cidade ecológica portuguesa terá uma rede de sensores, imitando um sistema nervoso, ligados a um computador central, que funcionará como um cérebro.
Segundo Steven Lewis, gerente do projeto, o sistema criará um "metabolismo urbano" inédito, permitindo o controle dos processos de reciclagem e tratamento de água e dejetos e de consumo energético.
Toda essa tecnologia já está disponível, mas é cara. Os criadores da eco-cidade contrabalançaram esse custo usando técnicas de construção mais baratas. "Como nós reduzimos o custo das construções, poderemos gastar um pouco mais em tecnologia," disse Lewis à revista New Scientist.
O projeto arquitetônico foi criado com os mesmos softwares utilizados no projeto de carros e aviões. Todos os prédios terão formato hexagonal, escolhido por permitir um melhor uso do espaço.
Cidade com cérebro
Todos os prédios serão pré-fabricados. É graças a isso que os criadores acreditam ser possível construir uma cidade inteira em apenas dois anos e a um custo relativamente baixo.
Sensores instalados em cada construção vão monitorar a ocupação - se tem alguém em casa -, a temperatura, umidade e consumo de energia. Essas informações vão alimentar um computador central - o cérebro eletrônico da cidade - juntamente com dados sobre a geração de energia de painéis solares e turbinas eólicas, o consumo de água e o lixo produzido.
O cérebro da cidade poderá então usar essas informações para controlar cada aspecto da vida urbana. Por exemplo, se os sensores mostrarem que o nível da caixa d'água de um edifício está baixo demais, ele poderá retirar água de outro prédio que esteja com um reservatório além de suas necessidades.
E serão muitos dados - algo como 5 petabytes por dia. Para lidar com eventuais problemas no cérebro central, cada casa será equipada com um poder computacional suficiente para fazê-la funcionar de forma autônoma.
O calor gerado pelo data-center da cidade será usado para aquecer outros prédios.
Reciclagem da água e do lixo
Haverá um cuidado especial com o reúso da água. Apenas 3% da água consumida em uma cidade é usada para consumo. Assim, por exemplo, a água usada nas cozinhas será filtrada e utilizada nos banheiros.
Uma série de lagos no parque central da cidade usará plantas para filtrar a água, tornando-a adequada para uso em banheiros e em irrigação.
O lixo orgânico produzido na cidade será usado para gerar eletricidade. Um biodigestor anaeróbico usará enzimas para estimular micróbios a digerirem o lixo, produzindo compostos químicos que poderão ser fermentados e destilados em biocombustíveis.
Esses biocombustíveis poderão alimentar os carros ou serem queimados para produzir eletricidade. O processo gera subprodutos, como aminoácidos e vitamina B12, que poderão ser vendidos para a indústria farmacêutica.
Os pais que morarem em PlanIt Valley também terão uma ajudinha extra para cuidar dos filhos. Um aplicativo, chamado "Ache meu Filho" permitirá que os pais localizem instantaneamente seus filhos, na rua ou dentro de um shopping center.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O último Julgamento (The Last Judgement )







Astrônomos criam balança para pesar planetas

Um grupo internacional de cientistas desenvolveu uma nova técnica capaz de detectar com precisão a massa não apenas de planetas inteiros, mas também de suas luas e até dos seus anéis.
"Esta é a primeira vez que alguém conseguiu pesar sistemas planetários inteiros - planetas com seus anéis e luas, tudo junto," afirmou o Dr. David Champion, do instituto CSIRO, na Austrália.
Balança de planetas
A "balança planetária" usa sinais de rádio de pequenas estrelas giratórias, chamadas pulsares, uma técnica diferente das atuais e que está permitindo checar os resultados obtidos anteriormente.
Até agora, os astrônomos pesavam os planetas - ou calculavam sua massa - medindo as órbitas de suas luas ou de sondas espaciais voando ao seu redor. Como a massa gera gravidade, e é a gravidade que determina a órbita de qualquer coisa ao seu redor, conhecendo-se esta pode-se determinar aquela.
O novo método é baseado nos sinais dos pulsares. Como a Terra gira ao redor do Sol, seu movimento afeta o momento exato da chegada desses sinais.
Para eliminar esse efeito, os astrônomos calculam quando os pulsos atingiriam o centro de massa do Sistema Solar, ou baricentro, ao redor do qual todos os planetas orbitam.
Como a posição dos planetas ao redor do Sol muda continuamente, esse baricentro também se altera. Para monitorar essa posição, os astrônomos usam uma tabela de posição dos planetas e o valor de sua massa, que já havia sido medida.
O problema é que esses dados têm uma margem de erro, e a posição real do baricentro fica ligeiramente errada, gerando um padrão de erros.
OBSERVAÇÕES...
PULSARES= As estrelas de nêutrons ou neutrões são corpos celestes supermassivos, ultracompactos e com gravidade extremamente alta.
BARICENTRO= Na física, o centro de gravidade ou baricentro de um corpo é o ponto onde pode ser considerada a aplicação da força de gravidade de todo o corpo. significado= a palavra baricentro é de origem grega (BARI = peso) e designa o centro dos pesos. 

domingo, 10 de outubro de 2010

A África vive a guerra contra a pobreza, até quando?



Quando olhamos para o mapa-múndi, notamos que o continente africano ocupa uma posição singular: atravessado pelo meridiano de Greenwich e pela linha do Equador, surge como o centro do mundo. Aparente berço da humanidade, a África, tal qual uma mãe, tem de purgar silenciosamente todos os desmandos do "Homo superior".

Fornecedora da mão-de-obra que enriqueceu a Europa, paradoxalmente foi esquartejada na Conferência de Berlim (1884-85): constituiu-se em 53 países separados por fronteiras artificiais, com incontáveis grupos etno-culturais que tiveram sua coexistência, nem sempre pacífica, e seus modos de vida destruídos em nome do progresso.

Não bastasse o quadro natural adverso (1/3 de áreas desérticas e em expansão e florestas impenetráveis), a África é vítima do seu passado: possui o pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e o maior IPH (Índice de Pobreza Humana) do mundo, ou seja, o menor PIB per capita, a menor taxa de urbanização, as maiores taxas de analfabetismo, de subnutrição, de natalidade, de mortalidade, de mortalidade infantil e de crescimento demográfico).

Além disso, convive com as doenças e a fome (na Somália, na Etiópia e no Sudão) e as guerras civis em Angola, Serra Leoa, Burundi, Ruanda e na República Democrática do Congo (ex-Zaire) e de fronteira (Chifre da África).

Sua economia, primário-exportadora, assegura o desenvolvimento, ainda que reduzido, de poucos países (Líbia, Egito, Marrocos, Tunísia, Zimbábue e África do Sul). 

A maioria das nações vive da economia de subsistência, da plantation, quando não adoece ou passa fome. 

Por ter mercado consumidor escasso, a África não pode participar do mundo globalizado, para o qual, não passa do lar de Tarzan e merece ser castigada, pois ousou sonhar com a liberdade após a "civilizada" 2ª Guerra Mundial. Seu lugar é apenas nos mapas.

Não bastasse isso, há duas décadas, a África da fome, das guerras e dos refugiados morre lentamente, vítima da AIDS. Mais de 23 milhões de casos numa população de 760 milhões de pessoas. 

Nos 16 países em que mais de 10% da população está infectada (36% em Botsuana, 25% no Zimbábue e na Suazilândia, 20% na África do Sul e em Zâmbia), o HIV matará cerca de 80% dos adultos.








Belezas sociais da pequenina e amada Cachoeira Paulista

IGREJA DO BOM JESUS

PONTE DO RIO PARAÍBA 

IGREJA SÃO SEBASTIÃO

CANÇÃO NOVA

ESTAÇÃO FERROVIÁRIA

INPE
PONTILHÃO

TEATRO MUNICIPAL

PRAÇA PRADO FILHO
PARQUE ECOLÓGICO

Rim artificial implantável promete acabar com diálise






Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em São Francisco, nos Estados Unidos, apresentaram um modelo de um aparelho que poderá se tornar o primeiro rim artificial implantável, em um desenvolvimento que poderá eliminar a necessidade de diálise e acabar com as filas de transplantes.
Biofiltro
O aparelho contém milhares de filtros microscópicos e um biorreator que replica as funções de equilíbrio metabólico e da água de um rim real.
O rim artificial implantável está sendo desenvolvido em um esforço colaborativo multidisciplinar, que inclui engenheiros, biólogos e médicos de várias instituições dos Estados Unidos.
O tratamento já comprovou ser eficiente - uma versão maior do aparelho e as suas partes constituintes foram testadas com sucesso em modelos animais e em pacientes graves.
O objetivo dos cientistas agora e miniaturizar o equipamento, usando a tecnologia de fabricação de chips para criar um rim artificial "do tamanho de uma caneca de café", além de compartimentos especiais para inserir culturas de células vivas do rim.
Rim artificial implantável
O rim artificial implantável é um equipamento em dois estágios que usa um hemofiltro para remover as toxinas do sangue.
Contudo, mais do que um mero filtro, o equipamento emprega as últimas técnicas de engenharia de tecidos - tecidos biológicos crescidos em laboratório - que permitem que células tubulares renais vivas cresçam em compartimentos adequados dentro do equipamento, fornecendo outras funções biológicas de um rim saudável.
O equipamento funciona com base na pressão do sangue do próprio paciente para realizar a filtragem, dispensando o uso de bombas e, portanto, de baterias ou de uma fonte de energia externa.
A primeira fase do projeto, que já foi concluída, incluiu o desenvolvimento das tecnologias necessárias para miniaturizar o equipamento até um tamanho que possa caber no corpo humano e o teste dos componentes individuais em modelos animais.
Na segunda fase, que começou agora, a equipe está fazendo o trabalho de acabamento mais sofisticado, necessário para dimensionar o rim artificial para seres humanos.
Transplante de rim artificial
Segundo os médicos, o dispositivo poderá ser implantado sem a necessidade de usar supressores imunológicos, permitindo que o paciente leve uma vida mais próxima do normal do que quando ele precisa se deslocar constantemente para fazer diálises ou após receber um transplante de um doador humano.
"Este dispositivo foi projetado para oferecer a maior parte dos benefícios de um transplante de rim, resolvendo o problema do reduzido número de doadores de rins," disse Shuvo Roy, um especialista no desenvolvimento de sistemas microeletromecânicos (MEMS) para aplicações biomédicas.
Segundo Roy, os primeiros rins artificiais vão agora começar a ser testados em modelos animais, e deverão estar prontos para testes clínicos em humanos em um período de cinco a sete anos.
A insuficiência renal crônica, a fase final da doença renal, atualmente só é plenamente tratada com um transplante de rim. O número de pacientes que chegam a esse estágio está aumentando, em parte por causa de lesões renais associada ao diabetes e à hipertensão.


Maior turbina movida a marés do mundo começa a ser instalada


Energia das marés
A maior turbina movida a energia de marés do mundo será testada na Escócia.
Criada pela empresa Atlantis Resources, a turbina AK-1000 será instalada para testes no Centro Europeu de Energia Marinha em Orkney, na Escócia.
Segundo a empresa a turbina subaquática foi desenvolvida para suportar a pressão das mais fortes correntes marinhas.
Com hélices de 18 m de diâmetro, mais de 22 m de altura e 1,3 mil toneladas, ela pode gerar até 1 MW de eletricidade, o suficiente para abastecer cerca de mil casas.
A empresa também afirma que por causa de sua baixa velocidade, a turbina não causará danos à vida marinha.
Se passar nos testes, a turbina poderá ser a primeira de muitas a serem instaladas na costa da Escócia.
Ao longo dos últimos anos, a Grã-Bretanha vem desenvolvendo uma espécie de rede de distribuição de energia submarina, conhecida como WaveHub, para viabilizar a exploração da energia das ondas e das marés 

Energia renovável está em alta na Europa

Fontes renováveis de energia
Fontes renováveis responderam por 62% da nova capacidade de geração de eletricidade instalada em 2009 nos países da União Europeia (UE).
No ano, em termos absolutos, 19,9% (ou 608 terawatts-hora - TWh) do consumo total de energia na UE (3042 TWh) derivou de fontes renováveis de energia.
Os dados são do relatório 2010 Renewable Energy Snapshots, publicado pelo Joint Research Centre(JRC) da Comissão Europeia - instituição politicamente independente que representa e defende os interesses da UE.
Vento, sol e biomassa
A energia hidrelétrica respondeu pela maior parcela entre as fontes renováveis, com (11,6%), seguida pelas energias eólica (4,2%), biomassa (3,5%) e solar (0,4%).
Da nova capacidade de geração instalada em 2009, entre as fontes renováveis a energia eólica ficou em primeiro, com 37,1%, seguida por fotovoltaica (21%), biomassa (2,1%), hidrelétrica (1,4%) e energia solar concentrada (0,4%), sistema que usa lentes ou espelhos para concentrar uma grande área de luz solar.
Com relação às fontes de geração não renováveis, da capacidade instalada em 2009 o gás ficou em primeiro, com 24%, seguido pelo carvão (8,7%), óleo (2,1%), incineração de lixo (1,6%) e energia nuclear (1,6%).
Se as taxas de crescimento atuais forem mantidas, em 2020 até 1400 TWh de eletricidade poderá ser gerada a partir de fontes renováveis, aponta o relatório. Isso representaria de 35% a 40% do consumo de eletricidade geral estimado para os países que compõem a União Europeia.
Energia eólica
A energia eólica é destacada no documento, tendo superado já em 2009, com uma capacidade instalada total superior a 74 gigawatts-hora (GWh), a meta estabelecida anteriormente para 2010, de 40 GWh. Agora, a European Wind Association estabeleceu uma nova meta: de ter uma capacidade instalada de 230 GWh até 2020.
Outro destaque é a energia de biomassa. De acordo com o relatório da UE, se as taxas de crescimento atuais forem mantidas, a eletricidade dessa fonte poderá dobrar de 2008 a 2010, de 108 TWh para 200 TWh de capacidade.
Quanto à energia fotovoltaica, desde 2003 a capacidade instalada tem dobrado a cada ano. O documento também destaca o potencial da energia solar concentrada. Atualmente, a maioria dos projetos com a nova tecnologia está concentrada na Espanha.
O relatório 2010 Renewable Energy Snapshots pode ser lido em http://re.jrc.ec.europa.eu/refsys.


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Técnica permite reúso da água na produção de etanol e açúcar

A água remanescente da cana-de-açúcar utilizada no processo de produção de açúcar e etanol pode ser reutilizada na própria usina - principalmente no processo de produção de açúcar, em que o produto final é seco, quase toda a sobra de água pode ser reaproveitada.
No caso da produção de etanol, em que o caldo deve ser concentrado, a situação é diferente, mas assim mesmo o reaproveitamento de água é possível, de acordo com a professora do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe) Sílvia Azucena Nebra de Pèrez, que coordenou a pesquisa realizada por Mauro Francisco Chávez-Rodríguez.
Captação de água para usinas
O estudo permitiu, a partir do reciclo, reduzir a captação de água para menos de 1 metro cúbico por tonelada de cana-de-açúcar, medida máxima permitida pela legislação para várias regiões do Estado de São Paulo. Em algumas regiões, a captação não pode ultrapassar 0,7 metro cúbico de água e em outras, como o Vale do Paraíba, o uso de água é proibido.
O trabalho desenvolvido foi parte de um estudo sobre Sustentabilidade na Produção de Etanol encomendado pelo CGEE - Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (MCT - Ministério da Ciência e Tecnologia) ao Nipe/Unicamp e teve como objetivo avaliar a possibilidade de redução do consumo de água na produção de etanol.
A pesquisa de Chávez-Rodríguez focou justamente as várias possibilidades de não só cumprir a lei, mas de também garantir a sustentabilidade dos processos.
Entre os importantes resultados da pesquisa está a constatação de que a água retirada da própria cana pode ser reutilizada com segurança. "Quando se produz açúcar e etanol, ocorre a evaporação, e a água sai bastante limpa. Normalmente, ela é facilmente reciclada, por exemplo, na operação de embebição, que é feita logo no começo, e na preparação do leite de cal [tratamento feito no caldo que prepara leite de cal para tratar o caldo]", explica Sílvia.
Ela lembra que ao carregar a cana para a usina, o caminhão já está carregando muita água, que, se fosse reutilizada, evitaria a necessidade da captação de recursos de outras fontes.
Pegada ecológica
Estudos de "pegada ecológica" - técnica inspirada na Ecological Footprint - desenvolvidos por outros autores apresentam um consumo de quase 12 litros de água para a produção de 1 litro de etanol, mas medidas de redução de consumo e de reúso de correntes experimentadas na dissertação permitiram reduzir a 3,6 litros de água por litro de etanol.
A pesquisa mostra que, apesar de o uso de água no processo industrial ser o mais alto para o caso do etanol de cana-de-açúcar, o consumo pode ser reduzido drasticamente, alcançando, sem o uso da água da vinhaça, valores similares aos apresentados pela gasolina de petróleo convencional.
A pegada ecológica foi utilizada para buscar resultados comparativos entre as produções de etanol de cana-de-açúcar, etanol de milho dos Estados Unidos, gasolina de petróleo dos EUA e gasolina produzida a partir de areias betuminosas, calculando gramas de dióxido de carbono (CO2).
Outros testes feitos a partir dessa avaliação desmistificam resultados sobre as emissões de gases de efeito estufa (GEE). O pesquisador observou que o etanol de cana-de-açúcar, seguido pelo etanol de milho, é o responsável pelas menores emissões de GEE.
Também em relação ao milho, os testes apontam o etanol de cana-de-açúcar como sendo mais favorável para a economia de água, segundo Sílvia, pois além de requerer muita água na produção, o etanol de milho utiliza combustível fóssil em maior escala na sua produção.
Sequestro de CO2 pelas florestas
Ao introduzir o conceito de Água-CO2, no qual o sequestro de CO2 é feito por florestas, os pesquisadores conseguiram quantificar como a terra consumiria recursos de água para neutralizar o gás carbônico.
Incorporando este conceito, o pesquisador constatou que a produção e o uso da gasolina e de combustíveis fósseis consumiriam indiretamente em média tanta água quanto a produção de etanol de cana-de-açúcar. O melhor resultado para a análise do índice de pegada ecológica, na opinião de Sílvia, é mostrado também para o etanol de cana-de-açúcar, seguido pela gasolina produzida de petróleo convencional.
O conceito de Água-CO2 baseia-se na ideia de que, para absorver o CO2 liberado na queima da gasolina, é necessário plantar uma quantidade de árvores equivalente a um bosque, que no seu crescimento absorverá este gás. "A grande vantagem do etanol é que quando você o queima, ele também produz CO2, mas depois tem uma cana nascendo que pega esse CO2 e retorna ao ciclo, fecha o ciclo. Já a gasolina não tem isso", acrescenta. Já que a quantidade de água necessária para que o bosque cresça também seria grande, a situação do etanol ainda é a melhor, de acordo com a pesquisa.
Diante das evidências da sustentabilidade do etanol em relação ao uso da terra e da água, o pesquisador sugere que novas terras projetadas para biocombustíveis com clima e taxas de chuva adequadas para o cultivo da cana deveriam priorizar o cultivo desta cultura.
Para Chavez-Rodríguez, a maior vantagem do conceito da pegada ecológica é que ela exibe uma ideia clara da mensagem da demanda de biocapacidade do padrão de produção em uma forma didática. A técnica mede a quantidade de área de terra que se requer para produzir todos os recursos que um indivíduo, uma população, ou uma atividade consome, considerando também a absorção de resíduos que isto gera.
Sustentabilidade do etanol
A necessidade do uso excessivo de água na produção de etanol a partir da cana-de-açúcar sempre foi uma das preocupações de ambientalistas e pesquisadores, mas Sílvia afirma que, ao avaliar a possibilidade do seu aproveitamento, a pesquisa de Chavez-Rodríguez mostra que há uma solução para o problema.
Além do mais, ao contrário do que pregam alguns ambientalistas de outros países, valores reais medidos em São Paulo reportam que, neste Estado, a cana, por não ser irrigada, não estaria comprometendo os níveis dos aquíferos. Ele explica que, no balanço hídrico, a evapotranspiração é menor que as precipitações incidentes.
Para Sílvia, todos os trabalhos apontando a sustentabilidade de etanol são importantes para derrubar críticas sustentadas particularmente por pesquisadores norte-americanos de que do ponto de vista da sustentabilidade, o etanol da cana-de-açúcar não é viável. "Alguns americanos dizem que a plantação de cana vai avançar na Amazônia. Mas a Amazônia não serve para plantar cana", contesta Sílvia.
Legislação sobre a água
A lei que diz respeito à captação de água se aplica a usinas novas e também a ampliações de unidades já existentes. De acordo com Sílvia, há um esforço dos usineiros em reduzir o consumo, já que a lei prevê multas pelo não cumprimento das normas.
Uma das saídas para os usineiros, na sua opinião, é a reutilização, coisa não muito distante da realidade, já que a cana transportada possui, na sua composição, 12% a 14% de fibra, 12% de sacarose e o restante de água. Esse volume de água poderia ser levado ao desperdício se não forem pensadas logísticas para sua reutilização.
"Antigamente, a produção de açúcar e etanol era feita sem que se cuidasse muito desse aspecto", explica. Este é o primeiro estudo voltado para a utilização da água na produção de etanol, segundo Sílvia, mas Chavez- Rodríguez aproveitou dados de pesquisas de biomassa voltadas para energia desenvolvidas anteriormente pelo Nipe.
Vinhaça
As análises da tese de Chavez-Rodríguez ainda não envolvem o aproveitamento da vinhaça obtida na produção de álcool.
A vinhaça traz riscos ambientais em razão da produção de metano, quando despejada no campo, como acontece hoje. Mas Sílvia acredita que seria possível filtrá-la e evaporá-la para ser reutilizada na própria usina.
A professora observa que o insumo é utilizado para a irrigação, mas existe a possibilidade de desenvolver tecnologia para eliminar a carga orgânica do resíduo. "Não é de todo ruim, pois ela é reaproveitada para a irrigação, porém ela volta ao ambiente com bastante carga orgânica. O metano é um dos piores gases do efeito estufa", explica Sílvia.
Segundo a docente, a Cetesb regula a quantidade de vinhaça que pode ser colocada no campo por hectare. Já foram iniciados estudos visando à possibilidade de utilização da vinhaça. "Este trabalho pode ser avançado, agora vamos avaliar a vinhaça", explica.

Avião solar deverá permanecer cinco anos voando



Avião solar
A Boeing foi contratada pela agência norte-americana DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency) para desenvolver e operar um novo avião solar não-tripulado.
Projetado para fazer seu primeiro voo de demonstração em 2014, oSolarEagle (águia solar, em tradução livre) será capaz de voar em altitudes extremamente elevadas, devendo permanecer na estratosfera por até cinco anos.
O protótipo já será construído em escala total, uma vez que as dimensões impõem desafios para o projeto que não poderiam ser enfrentados em versões experimentais menores.
Durante os testes, o SolarEagle permanecerá na atmosfera superior durante 30 dias, capturando a energia solar durante o dia e armazenando-a em células a combustível, que fornecerão a energia para que o avião continue voando à noite.
A aeronave terá motores elétricos de alta eficiência e terá 132 metros de envergadura.

sábado, 9 de outubro de 2010

Aquecimento global só será revertido com novas tecnologias, dizem cientistas


    O gráfico mostra o declínio projetado das emissões de dióxido de carbono em gigatoneladas (bilhões de toneladas) pela infraestrutura atual de energia e transportes ao longo dos próximos 50 anos, em comparação com três cenários traçados pelo IPCC.                   [Imagem: Carnegie Institution]



Redução do aquecimento global
As tecnologias atuais de geração de energia não são suficientes para reduzir as emissões de carbono aos níveis considerados necessários para evitar os riscos ao planeta promovidos pelo aquecimento global.
A afirmação é de um artigo publicado por cientistas dos Estados Unidos e do Canadá na edição desta sexta-feira da revista Science.
Estima-se que, para evitar os riscos das mudanças climáticas globais, seria preciso evitar que a temperatura média do mundo chegasse a 2º C acima dos níveis anteriores à Revolução Industrial.
Modelos climáticos atuais indicam que, para atingir esse objetivo, será preciso limitar as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera em menos de 450 partes por milhão (ppm).
O problema é que permanecer abaixo desse nível implica diminuir substancialmente as emissões decombustíveis fósseis, algo que os países industrializados não estão conseguindo fazer. O nível atual é de aproximadamente 385 pp. Antes da Revolução Industrial, estava abaixo de 280 ppm.
Paralisação do crescimento
Steven Davis e seus colegas da Instituição Carnegie, nos Estados Unidos, avaliaram o que ocorreria com o planeta se nenhum outro dispositivo emissor de CO2 fosse fabricado.
Nessa situação hipotética, sem uma única fábrica ou automóvel novo, a infraestrutura energética atual do mundo emitiria cerca de 496 bilhões de toneladas de CO2 nos próximos 50 anos.
Isso seria suficiente para estabilizar os níveis do gás na atmosfera em 430 ppm e deixaria a temperatura média em 1,3º C acima dos níveis pré-industriais.
Os riscos do aquecimento global teriam sido vencidos, mas, segundo os cientistas, o cenário hipotético ilustra bem a situação atual vivida pelo planeta. Somente de veículos automotivos, o mundo ganha a cada dia não um, mas cerca de 170 mil novos - isso segundo dados da International Organization of Motor Vehicle Manufacturers de 2009, que representaram, em meio à crise econômica mundial, queda de 13,5% em relação à produção do ano anterior.
"Até agora, os esforços feitos para diminuir as emissões por meio de regulações e de acordos internacionais não funcionaram. As emissões estão aumentando mais do que nunca e os programas para desenvolver fontes de energia 'neutras em carbono' estão, nos melhores casos, ainda muito incipientes", disse Martin Hoffert, professor emérito do Departamento de Física da Universidade de Nova York, em artigo comentando o estudo de Davis e colegas na mesma edição da Science.
O problema do carvão
Mas a pior notícia é que a situação tende a se agravar ainda mais. Segundo os pesquisadores, as fontes das emissões mais ameaçadoras ao planeta ainda não foram construídas. Isso porque o mundo e suas economias simplesmente continuarão a crescer. Um exemplo é o carvão.
"À medida que o pico na produção de petróleo e de gás natural se aproxima, a produção de carvão aumenta, com novas usinas movidas a carvão sendo construídas na China, Índia e nos Estados Unidos", disse Hoffert.
"Investimentos maciços serão cruciais para permitir que a pesquisa básica encontre e desenvolva tecnologias possíveis de serem aplicadas comercialmente e em massa. Mas a introdução de tecnologias neutras em carbono também exige, no mínimo, que sejam revertidos incentivos perversos, como os atualmente existentes para subsidiar a produção de combustíveis fósseis e que se estima serem 12 vezes maiores do que os aplicados para a energia renovável", afirmou.

Produção conjunta de etanol e biodiesel pode reduzir emissões




A produção conjunta de etanol e biodiesel, proposta por pesquisadores da USP, tem potencial para reduzir as emissões de gás carbônico (CO2) e melhorar o balanço energético, produzindo mais combustível a partir de uma quantidade menor de insumos.
O modelo sugerido combina a produção de álcool de cana e biocombustível de óleo de dendê na região do Cerrado brasileiro.
"O processo produtivo do etanol utiliza insumos que estão associados às emissões de CO2, como o óleo diesel, derivado do petróleo, que movimenta tratores e caminhões", diz o professor Sérgio Almeida Pacca, que orientou a pesquisa. "O trabalho buscou uma alternativa para substituir o diesel que pudesse minimizar as emissões."
Biodiesel de óleo de dendê
O combustível escolhido foi o biodiesel produzido a partir do óleo de dendê. "Ele apresenta uma produtividade maior por hectare do que outras espécies vegetais empregadas na fabricação do combustível, como a soja, o girassol e a colza (canola)", ressalta o professor.
Ao mesmo tempo, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolve uma variedade de dendê que se adapta às condições climáticas do Cerrado, onde as experiências com o cultivo de cana adaptada já são bem-sucedidas.
O processo integrado de produção foi comparado ao sistema tradicional, a partir da avaliação do ciclo de vida de ambos os métodos, para se buscar sinergias entre o álcool e o biodiesel.
"A produção de etanol a partir da cana gera o bagaço, um resíduo que pode ser usado na geração de energia para o próprio processo produtivo, ou na obtenção de eletricidade", conta Pacca. "Da mesma forma, a extração de óleo de dendê gera resíduos, como fibras e cascas de castanha, igualmente utilizáveis na geração de eletricidade."
Aproveitamento da vinhaça
Outra integração proposta na pesquisa está no aproveitamento da vinhaça, um subproduto da produção do etanol, na irrigação de cultivos.
"No cerrado, devido ao clima, o dendê precisa ser irrigado artificialmente", observa o professor. "A vinhaça de cana-de-açúcar contém água e micronutrientes, como o potássio, e o efluente da produção do biodiesel de dendê pode ser adicionado a ela."
O sistema de produção conjunto permite minimizar a necessidade de alguns insumos, em especial combustíveis fósseis, e ao mesmo tempo promover a reciclagem de subprodutos. "O cálculo do balanço de emissões revelou uma produção menor de CO2", ressalta Pacca.
A estimativa do balanço energético mostra que o investimento em insumos é menor, sem prejudicar o aumento da produção de energia.
Modelo teórico
"O modelo ainda é teórico, mas foi elaborado a partir de dados extraídos de sistemas produtivos reais", aponta o professor.
Durante o trabalho, realizado pela pesquisadora Simone Pereira de Souza, foram visitadas usinas de álcool e biodiesel para o levantamento de coeficientes de produção, além de plantios de cana e dendê, a fim de verificar suas necessidades e a utilização de insumos.
A escolha do Cerrado para a implantação da produção integrada se deve à presença de algumas características das florestas tropicais, de onde o dendê é nativo.